Prefeitura de PG corta pagamento a professores de escolas rurais e gera prejuízo à categoria

Para o sindicato, a decisão foi arbitrária, arquitetada pela Secretaria de Recursos Humanos, com a ciência do Gabinete da Prefeita e Procuradoria, e que isso representa um “boicote” aos trabalhadores
Professores e demais profissionais da educação que atuam em escolas da zona rural de Ponta Grossa foram surpreendidos com a redução dos salários na folha de pagamento de julho após a Prefeitura deixar de pagar as chamadas “horas in itinere”, benefício recebido por parte dos profissionais como compensação pelo tempo de deslocamento até unidades de difícil acesso. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindServ), a medida foi adotada sem qualquer comunicação prévia aos trabalhadores ou à entidade.
De acordo com o sindicato, as horas in itinere deixaram de ser obrigatórias após a reforma trabalhista de 2017, mas o município optou por manter o pagamento aos servidores que já recebiam o benefício. Desde 2021, porém, novos profissionais lotados nas escolas rurais deixaram de ter direito ao valor, criando uma diferença entre servidores que exercem a mesma função. Atualmente, cerca de 80 trabalhadores atuam nessas unidades, sendo que aproximadamente metade recebe a compensação e a outra metade não.
Ainda conforme o SindServ, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei criando uma gratificação para os profissionais das escolas rurais. No entanto, o sindicato afirma que os valores propostos são inferiores aos atualmente recebidos por quem ainda tem direito às horas in itinere. A entidade defende uma emenda para que seja estabelecida uma média dos valores pagos atualmente, evitando perdas salariais. Como exemplo, o sindicato cita professores da região do Itaiacoca que recebem cerca de R$ 2,5 mil pelo benefício e passariam a receber aproximadamente R$ 700 com a nova gratificação.
Sindicato vê boicote aos trabalhadores
O Sindserv afirma que cerca de 25 profissionais da educação, entre professores e outros servidores que atuam em escolas rurais, poderão ser prejudicados caso o projeto seja aprovado da forma proposta pelo Executivo. Segundo o presidente do sindicato, Luiz Eduardo Pleis, a decisão foi arbitrária, arquitetada pela Secretaria de Recursos Humanos, com a ciência do Gabinete da Prefeita e Procuradoria, e que isso representa um “boicote” aos trabalhadores.
“Estamos há bastante tempo tentando discutir essa questão com o Executivo, mas não houve nenhum tipo de respeito com os trabalhadores nem com o sindicato. Agora estamos mobilizando os servidores para acompanhar a sessão da Câmara na próxima segunda-feira e buscar, junto aos vereadores, a apresentação de uma emenda que evite prejuízos a esses profissionais”, afirmou o presidente.
Até o momento, não há posicionamento oficial da Prefeitura de Ponta Grossa sobre os motivos do corte na folha de pagamento de julho.
