Nutricionista alerta para o perigo de produtos ultraprocessados nas escolas de PG

Gabriel Carvalho apresentou, na Tribuna da Câmara, dados sobre obesidade infantil, diabetes e outras doenças associadas ao consumo desses alimentos
A presença de produtos ultraprocessados no ambiente escolar expõe crianças e adolescentes a alimentos associados ao avanço da obesidade, do diabetes, de problemas intestinais e de outras doenças crônicas. O alerta foi feito pelo nutricionista Gabriel Carvalho durante pronunciamento na Tribuna da Câmara Municipal de Ponta Grossa nesta quarta-feira (29).
Convidado pelo vereador Guilherme Mazer (PT), Gabriel apresentou pesquisas sobre os impactos desses produtos na saúde e chamou a atenção para a exposição cada vez mais precoce. Segundo os dados apresentados, 80,5% das crianças brasileiras entre seis e 23 meses já consomem alimentos ultraprocessados, enquanto 31,2% dos adolescentes apresentam excesso de peso.
O tema está relacionado ao Projeto de Lei nº 20/2026, protocolado por Mazer e em tramitação na Câmara. A proposta estabelece medidas de educação alimentar e nutricional, prioriza alimentos in natura e minimamente processados e regulamenta a distribuição, a comercialização e a publicidade de alimentos e bebidas nas escolas públicas e privadas de Ponta Grossa.
“O projeto foi apresentado e está tramitando na Câmara. Fizemos reunião com todos os nutricionistas do município, estão sendo feitas modificações e o Gabriel está sendo fundamental para dialogar com várias instituições da comunidade escolar”, afirmou Mazer, que agradeceu a participação do nutricionista.
Gabriel destacou que os prejuízos não se limitam ao excesso de peso e que os hábitos alimentares formados na infância podem acompanhar a pessoa por muitos anos.
“Há correlações de doenças que são ligadas ao uso de ultraprocessados. Depois da criança exposta aos ultraprocessados, é difícil reverter esse consumo”, afirmou.
Durante a exposição, o nutricionista também abordou os efeitos sobre a insulina e a saúde intestinal, além de estudos que apontam correlações entre o consumo frequente desses produtos e câncer colorretal, de pâncreas e de mama. Ele ressaltou ainda que doenças crônicas associadas à alimentação inadequada provocam impacto econômico de bilhões de reais sobre o Sistema Único de Saúde.
Gabriel Carvalho é nutricionista clínico, mestre e doutor em Políticas Públicas e Cidadania pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), professor das áreas da saúde nas Faculdades Cescage e coordenador dos cursos de Fisioterapia e Nutrição da instituição. Na Tribuna, falou representando o Instituto Urbi, entidade que atua na defesa de direitos sociais.
