Flávio e Lula trocam ataques e citam Luchsinger, Vorcaro e SUS no 1º debate

Encontro deste domingo (18) foi marcado por troca de acusações entre os candidatos ao longo de três blocos e confusão na plateia durante as considerações finais
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentaram neste domingo (18), no debate da Band, a uma semana do segundo turno da eleição presidencial. O senador e o presidente apresentaram propostas, como mudanças no SUS (Sistema Único de Saúde) e na segurança pública, mas também trocaram acusações relembrando os nomes de Roberta Luchsinger, envolvida no caso Lulinha, e de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no primeiro confronto direto entre eles na televisão neste pleito.
Flávio foi o primeiro a chegar, por volta das 19h25. O candidato do PL (Partido Liberal) adentrou os estúdios acompanhado de aliados como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os senadores eleitos por São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), de Sergio Moro (PL), governador eleito do Paraná, e Deltan Dallagnol (Novo), senador eleito pelo Paraná, e Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal reeleito.
Lula chegou depois, por volta das 19h35. Na comitiva do petista estavam nomes como o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), candidato derrotado ao governo de São Paulo, o deputado federal André Janones (Rede-MG), e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas derrotadas ao Senado.
O evento também foi marcado por confusão envolvendo as duas comitivas, que no último bloco protagonizaram discussões que interromperam as considerações finais dos candidatos.
O debate deste domingo, também promovido pelo jornal Estadão e pelas emissoras de rádio e televisão Cultura, Gazeta e Jovem Pan, foi o primeiro confronto entre os candidatos, após dúvidas sobre a presença de ambos.
Os dois avançaram à etapa decisiva após liderarem a votação de 4 de outubro. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões, enquanto Lula obteve 45,16%, aproximadamente 53,8 milhões. A escolha de quem governará o país pelos próximos quatro anos será feita em 25 de outubro.
Nenhum dos dois participou dos debates do primeiro turno. O encontro da Globo, previsto para 1º de outubro, foi cancelado em meio a decisões judiciais sobre as regras e a participação dos candidatos. Já no segundo turno, a Record cancelou o debate marcado para o dia 11, alegando incompatibilidade de agendas dos presidenciáveis. Também na Band, ambos se ausentaram, assim como Romeu Zema (Novo).
1º bloco de debate na TV é marcado por ataques e acusações
Flávio Bolsonaro e Lula abriram o debate respondendo sobre maioridade penal, sem abordar diretamente o impacto da medida. O senador prometeu “declarar guerra ao narcoterrorismo”, recuperar territórios e criar mais de meio milhão de vagas em presídios. O presidente citou a lei antifacção e defendeu criar o Ministério da Segurança Pública: “Estamos combatendo o crime organizado da esquina ao andar de cima”.
Na economia, Lula defendeu estimular o consumo e os microempreendedores individuais. “Fazer o dinheiro circular nas mãos das pessoas”, afirmou, citando a criação do MEI em seu governo. Flávio criticou o endividamento e os gastos federais, prometeu ajudar os brasileiros a pagar dívidas e declarou que o primeiro passo para o crescimento seria tirar o petista do poder.
No confronto livre, Flávio cobrou explicações sobre Roberta Luchsinger: “Roberta fez acusações muito graves. Você tem a oportunidade de esclarecer agora”. Lula respondeu que a Polícia Federal investigará e questionou uma suposta ligação do senador com o Careca do INSS. O presidente também cobrou esclarecimentos sobre a relação de Flávio com Daniel Vorcaro.
Os candidatos estenderam os ataques aos familiares. Flávio chamou Lulinha de “foragido”, enquanto Lula rebateu citando Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. “Meu filho irá prestar depoimento e não irá se esconder”, afirmou o presidente, que voltou a cobrar o adversário sobre Vorcaro: “Explica a sua relação de amizade”.
Flávio mencionou a prisão de Lula e apontou a presença de Sergio Moro e Deltan Dallagnol na plateia. “Está aqui quem te prendeu”, disse. Também afirmou que 73% dos presidiários votaram no petista. Lula respondeu defendendo a participação de todos na votação e provocou: “Eu quero que todo mundo vote, até seu pai”.
“Saidinhas”, saúde e custo de vida pautam 2º bloco
Flávio Bolsonaro e Lula divergiram sobre o SUS e a condução da pandemia. O senador prometeu levar o “padrão Albert Einstein” à rede pública, com prontuário único, telemedicina e inteligência artificial. Lula questionou se a proposta significaria privatização e criticou o conhecimento do adversário sobre saúde pública. A discussão foi interrompida após o presidente reclamar que Flávio estaria zombando dele.
Sobre as saídas temporárias de presos, Flávio cobrou a posição de Lula, que defendeu a recuperação dos detentos e o contato com familiares. O presidente também afirmou que uma eventual medida para beneficiar Jair Bolsonaro teria de alcançar outros presos, incluindo Daniel Vorcaro.
Flávio afirmou ter votado pelo fim da escala 6×1 após ouvir trabalhadores, mas disse que a folga precisa vir acompanhada de segurança e poder de compra. “Quero que tenha tranquilidade para sair na rua e encher o carrinho”, declarou. Lula rebateu que o senador conhece o trabalhador “por literatura”, defendeu os resultados de sua gestão e citou os efeitos de conflitos internacionais sobre a inflação, citando também o norte-americano Donald Trump.
Ao retomar a pandemia, Lula criticou os ministros da Saúde de Bolsonaro, exaltou o Mais Médicos e acusou a gestão anterior de deteriorar hospitais federais no Rio. Flávio reconheceu que a saúde não foi a melhor área do governo do pai, mas defendeu sua atuação na crise sanitária e rejeitou as acusações do petista, além disso, sobre os hospitais cariocas, disse que lula estava “cuspindo mentiras”.
Na economia, Flávio prometeu manter o Bolsa Família, criar o Ministério da Prosperidade e renegociar dívidas das famílias. A proposta apresentada inclui comprar débitos dos bancos, congelar as dívidas por seis meses para pessoas físicas e oferecer carência de um ano para jurídicas. Lula, por sua vez, citou o salário mínimo e as aposentadorias ao defender o poder de compra durante seu governo.
3º bloco tem confronto sobre EUA e confusão em falas finais
Na discussão sobre produtividade, Flávio Bolsonaro defendeu ampliar o acesso à internet, enquanto Lula apontou investimentos em inovação industrial e economia verde como caminhos para o crescimento. O presidente citou realizações de sua gestão e defendeu responsabilidade fiscal e estímulo ao consumo. “É com muita responsabilidade fiscal que vamos cuidar do povo brasileiro”, afirmou.
Ao discutir corrupção, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico, estendendo a proposta aos familiares dos dois. “Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família”, declarou. O senador disse não ter “absolutamente nada a esconder”. Em seguida, acusou o petista de movimentar dinheiro fora das próprias contas e mencionou supostos recursos ligados a um filme sobre Lula e ao Instituto Lula.
Lula também acusou a família Bolsonaro de “subordinação” ao governo dos Estados Unidos. Flávio, por sua vez, acusou o presidente de defender PCC e Comando Vermelho e afirmou que pessoas que chamou de “infiltrados”, responsáveis por referências a Donald Trump no ato da Paulista deste domingo, em que um pedido par ao norte-americano jogar uma bomba no Brasil, seriam identificadas. Disse ainda que cobraria responsabilização por depredações no ato de apoio a Lula e propôs o Smart Brasil, inspirado no sistema de monitoramento Smart Sampa, de São Paulo.
Na segurança, Flávio defendeu castração química para estupradores e pedófilos e redução da maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos. “Estuprador de 14 anos tem que responder como adulto”, afirmou. Lula citou um programa de bloqueio de celulares roubados e disse que seu governo já realiza ações de renegociação de dívidas, em resposta à proposta apresentada pelo adversário no bloco anterior.
Nas considerações finais, marcada por confusão, Lula agradeceu aos brasileiros “pela continuidade da democracia nesse país”. Sua fala foi interrompida por uma discussão depois que Flávio passou atrás dele. Ao retomar, o presidente afirmou ter recuperado a economia e a indústria, acusou o adversário de querer privatizar a Petrobras e criticou a privatização da Eletrobras.
Flávio também teve sua fala interrompida após reclamar do barulho da plateia, após gritos, ele retomou a fala. O senador criticou os três mandatos de Lula e declarou: “Jamais vou prometer o que não posso cumprir”. Prometeu colocar a população no centro do governo, reiterou o compromisso com a segurança pública e agradeceu os votos recebidos no primeiro turno.
Debate
O debate foi dividido em três blocos compostos por perguntas dos apresentadores e embate direto entre os candidatos.
No primeiro bloco, os âncoras fizeram uma pergunta para cada postulante. Depois, foi iniciado o confronto direto, no qual Flávio e Lula ficaram livres no estúdio para debaterem por 30 minutos.
O segundo bloco também começou com uma pergunta elaborada pelos âncoras para cada um dos candidatos. Em seguida, foi a vez dinâmica de que um candidato pergunta diretamente ao outro.
O terceiro seguiu da mesma forma que o anterior, com perguntas dos apresentadores e confronto direto entre os candidatos. Por fim, Flávio e Lula puderam fazer suas considerações finais.
Com informações da CNN Brasil
