Vereadora questiona exoneração de assessor e pergunta: “Quem decide sobre o meu gabinete?”

Enfermeira Marisleidy afirma que não solicitou nem foi comunicada previamente sobre a exoneração de assessor e pede explicações sobre a decisão
A vereadora Enfermeira Marisleidy Rama está questionando a exoneração de um assessor parlamentar de seu gabinete e quer esclarecimentos sobre quem tomou a decisão e quais foram os motivos que levaram ao desligamento.
Guilherme Andrigo Pikunas foi exonerado por meio do Ato nº 71/2026, assinado pelo presidente da Câmara Municipal, Júlio Kuller, e pelo primeiro-secretário, Dr. Zeca, com efeitos a partir de 6 de outubro.
Segundo Marisleidy, o ponto central da situação é que ela não solicitou a exoneração e afirma que também não foi comunicada previamente sobre a decisão.
“Eu não solicitei e não fui comunicada. De um dia para o outro, um profissional que fazia parte da estrutura do meu gabinete foi retirado das suas funções, sem a minha anuência. Ele chegou para trabalhar e descobriu que já não poderia exercer as atividades para as quais havia sido designado”, afirma a vereadora.
Para Marisleidy, a discussão não se limita à situação funcional de um servidor. O questionamento, segundo ela, envolve a autonomia do mandato parlamentar.
“Eu não estou discutindo aqui se existe um ato administrativo ou não. O ato existe. O que eu quero saber é: quem tomou a decisão, por que tomou e por que a titular do gabinete não foi comunicada? Se existe uma justificativa administrativa, ela precisa ser apresentada de forma clara e transparente.”
Áudio levanta questionamentos
A situação ganha outro elemento porque, segundo a vereadora, existe uma gravação de uma conversa ocorrida ainda no início da indicação de Pikunas para o gabinete.
No áudio, Júlio Kuller questiona Marisleidy:
“Você tem certeza que você quer o Pikunas no seu gabinete?”
A vereadora responde:
“Por enquanto tenho.”
Na sequência, segundo a gravação, Kuller afirma:
“Cuidado, cuidado.”
Marisleidy afirma que não pretende antecipar conclusões, mas entende que a gravação precisa ser analisada em conjunto com os acontecimentos posteriores.
“Eu não estou afirmando que uma coisa necessariamente causou a outra. Estou perguntando. Primeiro houve aquela conversa. Depois houve uma denúncia formal envolvendo o então vereador Júlio Kuller. Mais tarde ele assumiu novamente a Presidência da Câmara. E agora o assessor que eu escolhi para trabalhar no meu gabinete foi exonerado sem que eu tivesse solicitado ou anuído. É legítimo perguntar se existe alguma relação entre esses fatos”, questiona.
“Não estou pedindo privilégio”
A vereadora ressalta que não está reivindicando tratamento especial para seu gabinete.
“Não estou pedindo privilégio para ninguém. Estou pedindo respeito ao mandato. Se existe uma razão administrativa para a exoneração, que ela seja apresentada. Se foi uma decisão técnica, que se explique. Se houve algum problema funcional, que se diga qual foi. O que não pode acontecer é uma decisão dessa natureza ser tomada sem que a própria vereadora responsável pelo gabinete seja comunicada”, afirma.
Marisleidy também manifesta preocupação com a possibilidade de que uma denúncia ou posicionamento de um agente público possa gerar consequências posteriores.
“Eu quero acreditar que ninguém será prejudicado por denunciar aquilo que entende que precisa ser apurado. Se não existe nenhuma relação entre os fatos, que isso seja esclarecido. Mas se existe qualquer possibilidade de retaliação, isso também precisa ser investigado.”
A pergunta é maior que uma exoneração
Para a vereadora, o episódio abre uma discussão sobre a independência dos mandatos dentro do Legislativo.
“Meu mandato foi conquistado pelo voto. O gabinete é uma estrutura de trabalho do meu mandato. Sou eu quem responde politicamente por aquilo que fazemos, sou eu quem escolhe a equipe com quem trabalho e sou eu quem presta contas à população.”
Marisleidy afirma que pretende buscar formalmente informações sobre a origem da decisão, sua motivação e os procedimentos adotados para a exoneração.
“Eu não quero fazer julgamento antecipado. Quero documentos, explicações e transparência. Se tudo estiver dentro da normalidade, que se esclareça. Mas, se houve qualquer interferência indevida, também precisamos saber.”
E conclui com a pergunta que, segundo ela, está no centro de toda a discussão:
“Se eu fui eleita para exercer o meu mandato, quem decide sobre o meu gabinete: eu ou o presidente da Câmara?”
Para Marisleidy, a questão não é apenas sobre a saída de um assessor.
“No final, estamos falando sobre respeito ao voto. O eleitor escolheu o meu mandato. E é esse mandato que eu tenho o dever de defender”, finaliza.
Veja o pedido de informações feito pela vereadora ao presidente da câmara:

