ANÁLISE – Mais custo, nenhuma mudança: como entender a lógica da terceirização da merenda escolar em PG

A secretária municipal de Educação de Ponta Grossa, Joana D’Arc Panzarini Egg, afirmou recentemente em uma entrevista ao Portal aRede, que não haverá mudanças na merenda escolar oferecida aos alunos da rede municipal, mesmo após a terceirização do serviço, que elevou o custo para quase R$ 80 milhões. A declaração chama atenção porque contrasta com a lógica que geralmente justifica a terceirização de serviços públicos: a promessa de mais eficiência, melhor qualidade e, em muitos casos, otimização de recursos.
A merenda escolar é uma política pública essencial, diretamente ligada ao aprendizado, à saúde e à permanência das crianças na escola. Quando a Prefeitura opta por terceirizar um serviço desse porte, espera-se que haja avanços, seja na variedade dos alimentos, na qualidade nutricional, na logística ou na gestão. No entanto, ao afirmar que nada vai mudar, a gestão municipal levanta uma dúvida legítima: qual foi, então, o real motivo da terceirização?
Se o serviço continuará exatamente igual, mas com um custo significativamente maior para os cofres públicos, é natural que a população questione a decisão. Afinal, a terceirização não deveria ser um fim em si mesma, mas um meio para melhorar a prestação do serviço público. Caso contrário, a medida pode ser interpretada apenas como uma mudança administrativa que aumenta despesas sem trazer benefícios claros para estudantes, famílias e contribuintes.
Portanto, a declaração da secretária, ainda que busque tranquilizar a comunidade escolar, acaba reforçando a necessidade de transparência. A sociedade precisa entender quais ganhos concretos foram obtidos com a terceirização, como será o contrato será fiscalizado e por que o custo aumentou sem previsão de melhorias visíveis.
Em políticas públicas, especialmente quando envolvem crianças e recursos milionários, manter tudo igual, pagando mais, é uma explicação que não se sustenta sem esclarecimentos mais detalhados.
Veja o trecho da entrevista em que a secretária afirma que não haverá mudança:





