Oficina em Palmeira orienta agricultores sobre conservação de sementes crioulas

Atividade realizada durante a Feira de Sementes Crioulas abordou riscos de contaminação, testes de transgenia e autonomia das famílias agricultoras
A conservação das sementes crioulas e os cuidados para evitar contaminações estiveram no centro da oficina “Conservação da Agrobiodiversidade e Enfrentamento às Contaminações”, realizada durante a 12ª Feira Municipal de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade, em Palmeira.
A atividade integrou as ações desenvolvidas pelo Núcleo de Cooperação Socioambiental Campos Gerais, com apoio da Itaipu Binacional e do Governo Federal. A oficina também faz parte do Convênio Economia de Cooperação e Educação Ambiental, executado pelo Instituto Cidade Viva, e reuniu agricultores e participantes interessados na preservação das variedades tradicionais e na manutenção da diversidade genética das sementes.
Conduzida por Renato Kovalski Ribeiro, a oficina teve atenção especial para o milho, cultura que exige cuidados específicos por causa de sua forma de polinização. Segundo Renato, o objetivo foi compartilhar com os agricultores conhecimentos relacionados à conservação das sementes crioulas, à agrobiodiversidade e aos riscos provocados por cruzamentos e contaminações.
“O milho é uma situação complicada que a gente tem por questão das contaminações e dos cruzamentos, como ele é uma planta que se poliniza pelo ar”, explicou Renato durante a atividade.
Teste de transgenia
Um dos momentos da oficina foi a demonstração do procedimento utilizado para identificar a presença de transgenia no milho. Renato explicou que as sementes que circulam nas feiras passam por esse tipo de controle e que o conhecimento sobre o procedimento também deve chegar às famílias agricultoras.
“As sementes que circulam dentro da feira são todas testadas contra a transgenia”, destacou. Durante a oficina, os participantes acompanharam a demonstração de como o teste é realizado.
O trabalho de preservação das sementes é desenvolvido há anos na região e envolve organizações e grupos que atuam junto aos agricultores, entre eles o Coletivo Triunfo e a AS-PTA, fortalecendo ações de conscientização, conservação e melhoria das sementes crioulas.
Autonomia das famílias
Além da prevenção de contaminações, a oficina reforçou a importância de os próprios agricultores manterem sementes de qualidade em suas propriedades. A prática reduz a dependência externa e contribui para a continuidade das variedades mantidas pelas famílias ao longo das gerações.
Para Renato, esse é um dos principais resultados do trabalho desenvolvido com os agricultores. “A gente fala que há uma autonomia do agricultor em ter a semente crioula”, afirmou.
A oficina também fortaleceu a troca de conhecimentos entre agricultores, organizações e participantes da feira, relacionando a conservação da agrobiodiversidade à produção de alimentos, à soberania alimentar e à permanência das sementes crioulas nas propriedades rurais.
