Nova fase de operação mira PCC e empresas do setor de combustíveis em SP, RJ, Minas, MS e Paraná

O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizam, nesta quinta-feira (28), a segunda fase da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do PCC, o Primeiro Comando da Capital, no setor de combustíveis. Os agentes cumprem 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Na capital paulista, os agentes fazem buscas na Faria Lima, principal centro financeiro do Brasil.
O foco são seis novas fintechs, instituições de pagamento que operavam como bancos paralelos do PCC e que teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões em quatro anos.
Entre 2022 e 2024, uma única dessas instituições recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie.
A investigação apura também um esquema de adulteração de combustíveis com nafta, um solvente derivado do petróleo, e o uso de fundos de investimento, que teria causado prejuízos de R$ 200 milhões aos cofres públicos.
Batizada de Fluxo Oculto, essa nova fase tem como alvo também empresários, operadores logísticos e laranjas.
O objetivo da operação é avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
A investigações apontam um sofisticado esquema do PCC que ao mesmo tempo que lavava o dinheiro proveniente do crime, obtinha elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis. O uso de fintechs permitia dissimular os recursos de origem criminosa.
Segundo os investigadores, a sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade. As seis fintechs faziam parte de um poderoso núcleo financeiro.
Elas eram utilizadas para compensações financeiras entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, além de empresas e fundos de investimento administrados pela organização criminosa.
Havia ainda pagamentos de colaboradores, além de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores. Três fintechs informaram à Receita terem movimentado cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025.
Também foram identificadas transações de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos das instituições de pagamento investigadas com empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.
Com informações da Agência Brasil
