Governo Lula busca empréstimo de R$ 20 bi para socorrer os Correios

A nova direção dos Correios pediu ajuda ao governo federal para viabilizar um empréstimo bancário de aproximadamente R$ 20 bilhões, com o objetivo de equilibrar as contas da empresa até 2026. O valor é quase equivalente a todo o faturamento da estatal no ano passado, que somou R$ 18,9 bilhões.
A companhia enfrenta uma grave crise financeira. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo chegou a R$ 4,3 bilhões, aprofundando a deterioração das contas. Segundo fontes ligadas à estatal, o Tesouro Nacional conduz as negociações para o financiamento junto a um sindicato de bancos que inclui Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e instituições privadas.
Os detalhes da operação devem ser anunciados ainda nesta semana. Embora não esteja descartado um eventual aporte direto do governo, a alternativa enfrenta resistência dentro da equipe econômica.
Para facilitar o acesso ao crédito, o Tesouro Nacional avalia entrar como garantidor do empréstimo. Em troca, os Correios deverão implementar um plano de reestruturação, que incluirá medidas duras como um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), além da quitação de dívidas trabalhistas e previdenciárias acumuladas.
Também fazem parte das contrapartidas a regularização de encargos devidos ao INSS, o pagamento de fornecedores e o ajuste de pendências com o Postal Saúde, o plano de assistência dos empregados.
O pacote de R$ 20 bilhões tem como meta assegurar fôlego financeiro até 2026. Um técnico da estatal resumiu a gravidade da situação: “Não adianta ficar postergando ou escolhendo dívidas a pagar todo mês.”
De acordo com o balanço divulgado em junho, o passivo acumulado com benefícios de curto prazo somava R$ 4,2 bilhões, enquanto os de longo prazo alcançavam R$ 9,5 bilhões. Esses valores incluem encargos trabalhistas, dívidas com planos de saúde e contribuições ao salário-educação.
Mesmo com novas captações de recursos, o caixa da estatal continua sob forte pressão. Em dezembro de 2024, os Correios tomaram R$ 550 milhões em empréstimos — sendo R$ 300 milhões do banco Daycoval e R$ 250 milhões do banco ABC. Ambos vencem em dezembro deste ano.
Em junho de 2025, a empresa voltou ao mercado e conseguiu captar R$ 1,8 bilhão junto a um sindicato de bancos, com vencimento em novembro de 2026. Mas o volume de obrigações e o aumento das despesas tornaram essas operações insuficientes.
O ex-presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, atribuiu parte das perdas à chamada “taxa das blusinhas” — a cobrança de imposto sobre encomendas internacionais de até US$ 50 — e ao fim do monopólio dos Correios na gestão de cargas em aeroportos. Segundo ele, essas mudanças representaram uma perda de cerca de R$ 4 bilhões em receita.
Fabiano Santos deixou o cargo em julho após resistir a implantar cortes e fechamento de agências. Ele também havia feito críticas públicas a medidas do próprio governo, o que ajudou a acelerar sua saída.
O comando da empresa passou a Emmanoel Schmidt Rondon, economista e funcionário de carreira do Banco do Brasil, com perfil técnico e alinhado à Casa Civil. Apesar de a estatal ser vinculada ao Ministério das Comunicações, a nova gestão busca maior interlocução com a área econômica do governo para tentar recuperar a confiança dos bancos e investidores.
Um dos principais desafios de Rondon será controlar o aumento dos gastos com pessoal. No primeiro semestre deste ano, essas despesas cresceram R$ 477 milhões, alcançando R$ 5,6 bilhões — alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.
Fonte: Agenda do Poder







