Cuidado com fake news: o risco dos dublês de jornalista na internet

Bom, em primeiro lugar: este texto contém doses de opinião. Tudo bem? Opinião, aliás, não é feio. Nunca foi. O problema começa quando ela se veste de reportagem isenta, flerta com o moralismo e exige respeito profissional sem entregar o básico: método, equilíbrio e texto minimamente bem escrito.
Sou jornalista há tempo suficiente para saber que nem todo conteúdo publicado sob o rótulo de “notícia” merece sê-lo.
Ora, minha gente: jornalismo não é terapia. Não é divã, não é desabafo público e tampouco militância travestida de informação. Redação não é palco para frustrações pessoais nem para ressentimentos reciclados como pauta. Por isso, faço questão de deixar claro: aqui, nas linhas subscritas, há opinião assumida. É um exercício de honestidade que anda em falta, justamente entre os que mais se dizem guardiões da verdade.
Eu sei; a informação faz parte de quem todos nós somos. Todos, sem exceção, jornalistas ou não, informam o tempo todo. Comentamos, opinamos, reagimos, compartilhamos. Com mais ou menos acidez, com mais ou menos rigor. Isso faz parte da vida.
Mas para aqueles que, como eu, escolheram a informação como modo de vida e profissão, investindo alguns anos de estudo, sentados em salas de aula, desenvolvendo técnica, ética e método, existe algo muito caro: saber escrever (ORA BOLAS!), organizar ideias, sustentar raciocínios e, sobretudo, separar fato de opinião.
Informar profissionalmente exige trabalho, método e, antes de qualquer coisa, humildade. Ouvir o outro lado pede maturidade. Já generalizar, atacar e insinuar é fácil, confortável e perigosamente sedutor para quem fantasia com relevância.
Essa confusão deliberada entre reportagem e opinião é um dos principais combustíveis da desinformação. Como já alertaram pesquisadores e professores da área, quando o leitor não consegue distinguir o que é fato do que é juízo pessoal, o debate público se empobrece e a mentira encontra terreno fértil para prosperar.
Não por acaso, estudos acadêmicos ajudam a explicar certos comportamentos recorrentes em profissões de alta exposição pública. O psicólogo britânico Kevin Dutton, em A Sabedoria dos Psicopatas, aponta que áreas como jornalismo, advocacia e cargos de liderança frequentemente atraem perfis com traços de psicopatia funcional. Pessoas pouco empáticas e inclinadas ao controle. Não se trata de crime, mas de um alerta: sem freios éticos, esse perfil tende a confundir crítica com perseguição e opinião com verdade absoluta.
Vejam os senhores: a crítica é saudável, necessária e democrática. O que não se sustenta é a crítica sem rigor, sem critério e sem honestidade intelectual. Quando um texto nasce pronto para confirmar convicções pessoais, e não para investigar a realidade, algo importante se perdeu no caminho.
Jornalismo é serviço. É mediação. É compromisso com a sociedade, não com o próprio ego. Quem entende isso não precisa gritar.
E sim, caro leitor, eu sei. É extremamente divertido acompanhar “blogs independentes” que escracham figuras públicas por uns trocados. Confesso: às vezes também me divirto ao ver ataques escorrendo pelas redes do esgoto da opinião, lá onde o palhaço resolveu atear fogo no circo.
Mas jornalismo sério não vive disso. Jornalismo sério vive de credibilidade. E credibilidade não se improvisa.







