Conselho denuncia possível negligência e maus-tratos em atendimento a cães em Ponta Grossa
Cães são soltos feridos após atendimento e relatório aponta irregularidades em serviço veterinário

Um relatório do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Ponta Grossa (CMPDA), apresentado nesta segunda-feira (09), aponta indícios de negligência e possíveis maus-tratos no atendimento prestado a dois cães em situação de rua pelo serviço veterinário contratado pelo Município. O documento relata falhas graves no procedimento realizado pela empresa Clinicão Clínica Veterinária Popular.
Segundo o relatório, os cães Primor e Zuleide, conhecida como Menina, foram atendidos pelo serviço e posteriormente soltos em via pública no dia 5 de março de 2026, na Vila Mezzomo. A cadela Menina, de cerca de 10 anos e 22,9 kg, foi posteriormente avaliada por uma médica veterinária do Centro Veterinário Vida 24h, que constatou diversas alterações dermatológicas graves.
Entre os problemas identificados estavam perda extensa de pelos, inflamações na pele, áreas escurecidas, prurido intenso, secreção ocular purulenta, otite bilateral com presença de pus, ferida aberta na região abdominal com pontos de sutura aparentes e sinais de anemia. O animal também apresentava indícios de automutilação devido ao desconforto causado pela coceira e pelas infecções.
De acordo com a avaliação técnica, o conjunto de lesões e a ausência de tratamento adequado indicam sofrimento crônico e levantam forte suspeita de maus-tratos por negligência, conforme a Resolução nº 1.236/2018 do Conselho Federal de Medicina Veterinária.
O relatório também aponta falhas no atendimento do cão Primor, que teria sido solto com uma lesão cirúrgica recente de castração ainda aberta. Há ainda indícios de ausência de cuidados pós-operatórios básicos, como o uso de colar elizabetano, além de questionamentos sobre o procedimento anestésico realizado.
Outro ponto destacado é que os dois animais teriam sido liberados sem acompanhamento e deixados em um local com lixo e vegetação alta, sem acesso a água ou alimentação, o que aumentaria o risco de infecção e infestação por larvas.
No caso da cadela Menina, o documento afirma que ela era um cão comunitário cuidado por moradores próximos ao estacionamento da VCG, mas foi solta irregularmente no bairro Jardim Carvalho, a cerca de 7,5 quilômetros de distância de seu território.
Informações desencontradas
O relatório também aponta possíveis inconsistências na documentação apresentada pela empresa ao município, o que caracteriza falsidade idológica. A ficha de atendimento registrava os animais como vítimas de atropelamento, algo que não foi confirmado na avaliação clínica. Além disso, o telefone informado na solicitação do atendimento pertence a um morador da cidade de Castro, que afirmou não conhecer os animais nem ter solicitado o serviço.
Diante das irregularidades apontadas, o Conselho determinou o envio do relatório ao Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná, ao Ministério Público, à Polícia Civil, ao Instituto Água e Terra, ao Tribunal de Contas do Estado, ao Conselho Municipal de Saúde, à Prefeitura de Ponta Grossa e à Controladoria Geral do Município para investigação e adoção das medidas cabíveis.
O documento é assinado pelo presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Ponta Grossa, Anael Ruccieri Proença dos Santos.






