ANÁLISE: Quem quer assumir o Palácio Iguaçu precisa, antes, conhecer o Paraná


A passagem do senador e pré-candidato ao Governo do Paraná, Sergio Moro, pelo Noroeste do Estado, acompanhado da deputada federal Rosangela Moro e do deputado federal Filipe Barros, reforça um aspecto crucial da política: quem pretende governar deve percorrer o estado, ouvir a população e conhecer de perto a realidade de cada região.

A proposta da caravana é justamente essa. Ouvir prefeitos, produtores rurais, empresários, lideranças e moradores para construir um plano de governo. Trata-se de uma iniciativa quase que obrigatória. Afinal, nenhum gabinete em Curitiba é capaz de traduzir, sozinho, as necessidades de um estado tão diverso quanto o Paraná.

No caso de Sergio Moro, essas viagens parecem ter um significado ainda maior. Em algumas oportunidades, o senador demonstrou desconhecimento sobre aspectos da cultura e da identidade paranaense. O episódio mais conhecido ocorreu quando confundiu o termo “parnanguara”, gentílico de quem nasce em Paranaguá, com uma referência a uma tribo indígena. O deslize virou assunto em todo o estado e evidenciou que conhecer o Paraná vai muito além de morar nele ou representar seus eleitores em Brasília.

O Paraná é formado por regiões com histórias, economias e culturas próprias. O Litoral tem características completamente diferentes das dos Campos Gerais, do Norte Pioneiro, do Noroeste, do Oeste ou do Sudoeste. Quem pretende administrar um estado com essa diversidade precisa conhecer sua gente, suas vocações e suas prioridades. E isso se conquista na estrada, conversando com quem vive a realidade dos municípios.

Primeira-dama ou deputada por São Paulo?

Outro aspecto que desperta curiosidade é a participação constante de Rosangela Moro nessas agendas. Ela foi eleita deputada federal por São Paulo e representa os eleitores paulistas na Câmara dos Deputados. Evidentemente, não existe qualquer impedimento para que acompanhe o marido em compromissos políticos no Paraná. Ainda assim, é inevitável a reflexão sobre o simbolismo de uma parlamentar eleita por outro estado ocupar espaço de destaque em uma pré-campanha paranaense.

Essa situação suscita outra questão interessante. Se Sergio Moro vier a ser eleito governador do Paraná e Rosangela Moro conquistar a reeleição para a Câmara dos Deputados por São Paulo, o Paraná terá uma circunstância incomum: sua primeira-dama também será deputada federal por outro estado da Federação. Do ponto de vista legal, não há impedimento. Politicamente, porém, seria uma configuração inédita e que certamente abriria espaço para debates sobre representatividade e prioridades institucionais.

Mais importante do que qualquer estratégia eleitoral, entretanto, é que essas viagens realmente cumpram seu objetivo. O Paraná precisa de governantes que conheçam seus municípios não apenas pelos mapas, mas pelas pessoas que vivem neles. Que entendam as dificuldades dos agricultores, os desafios da infraestrutura, da saúde, da educação e da geração de empregos.

Percorrer o interior nunca é perda de tempo. Pelo contrário. É uma oportunidade para aprender, corrigir equívocos e compreender que o Paraná é muito maior e mais complexo do que muitas vezes parece à distância.

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