ANÁLISE: Quando a população espera soluções; a gestão terceiriza a culpa


Em política, reconhecer erros é sinal de maturidade. Mas, em Ponta Grossa, a administração municipal parece seguir outro caminho: diante de praticamente toda crítica, a resposta é sempre a mesma. Se surge um problema, é mentira. Se há denúncias, é politicagem. Se a situação repercute negativamente, a culpa é da oposição, dos “irmãos” ou de algum adversário político.

Foi assim nos episódios da terceirização da merenda escolar e da Clinicão, duas terceirizações milionárias que acumularam questionamentos e insatisfação. Em vez de admitir falhas ou apresentar explicações convincentes, a estratégia predominante foi desqualificar quem apontava os problemas, desviando o foco das cobranças da população.

Agora, o roteiro se repete com a decisão inédita de não antecipar metade do décimo terceiro salário dos servidores municipais, benefício pago regularmente nos dez últimos anos. A medida provocou uma onda de reclamações entre os funcionários públicos e uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Ao comentar o assunto, porém, a prefeita preferiu atribuir a responsabilidade ao governador Ratinho Júnior e a redução do IPVA.

Mas será que um município que ostenta um orçamento de cerca de R$ 2 bilhões não consegue se programar ao longo de um ano para uma despesa que é básica? Afinal, a questão trata de décimo terceiro salário. “Dinheiro para pagar milhões com terceirização tem; mas para o servidor nunca tem”, desabafou um trabalhador nas redes sociais.

É evidente que toda administração enfrenta críticas políticas. Mas transformar praticamente qualquer cobrança em perseguição ou transferir responsabilidades para terceiros não resolve os problemas da cidade, nem acalma quem é diretamente afetado pelas decisões da Prefeitura.

Governar exige mais do que encontrar culpados. Exige assumir responsabilidades, enfrentar dificuldades e oferecer respostas concretas. Afinal, a população espera soluções, e não desculpas.

Posts Similares