Análise: O ‘bololô’ da merenda: pra quem vai a primeira fatia?


Pois é. Essa é a sensação que fica após os últimos acontecimentos em torno da licitação da merenda escolar de Ponta Grossa. Um processo de R$ 96,5 milhões, lançado às pressas, gerou apreensão entre quem conhece a rotina das cozinhas escolares: merendeiras, auxiliares e servidores municipais.

O pregão eletrônico 86/2025, que visava a contratação de uma empresa para fornecer e distribuir a alimentação escolar, foi oficialmente suspenso nesta sexta-feira (15). A Prefeitura alegou ajustes técnicos e ampliação do prazo para garantir maior competitividade.

De verdade mesmo? O nome disso é insegurança e improviso.

O questionamento central não é apenas o valor ou a logística do edital, mas a própria razão de mexer em um serviço que funciona. Um dos poucos serviços prestados pelo Município que funciona! As merendeiras de Ponta Grossa não só preparam a comida, mas criam um vínculo de cuidado e acompanhamento com milhares de crianças diariamente. Substituí-las por uma gestão terceirizada, mesmo que parcial, significa romper esse elo que, antes de qualquer coisa, é humano. Jogar experiência e dedicação no liquidificador e apostar que uma empresa externa conseguirá replicar o mesmo zelo.

O sindicato foi enfático: não falta qualificação, falta transparência. Reuniões às portas fechadas, documentos difíceis de acessar e justificativas frágeis levantam mais dúvidas do que certezas. Comparações de Ponta Grossa com Maringá? Pelo amor de Deus. Não se pode simplesmente copiar uma política pública ou o que quer que seja de uma cidade para a outra sem a devida avaliação. Promessas de modernização não substituem estudo técnico, indicadores concretos e diálogo com conselhos e servidores.

Nossos gestores aprenderam a técnica do improviso e a vestem com gravata, tentando se passar por gênios.

O futuro da merenda escolar ainda é incerto. A suspensão do edital é, no mínimo, um alívio temporário, mas não resolve a inquietação que ronda escolas, servidores e famílias.

No fim das contas, não se trata apenas de licitação ou de números milionários. Trata-se de crianças que merecem comida de qualidade e servidores que merecem reconhecimento. No meio de toda essa discussão, esperamos que não haja um bolo assando no forno, para uma empresa especial.

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