ANÁLISE: Na Semana Santa, Prefeitura aposta em evento com temática ocultista em PG

Em plena Semana Santa, período de recolhimento, reflexão e fé para milhões de cristãos, a Prefeitura de Ponta Grossa resolveu apostar em algo que foge, e muito, deste espírito. Na quinta-feira (17), foi realizado o evento “Uma Noite de Mistérios” na mansão Vila Hilda, com temática voltada ao oculto, ao sobrenatural, à presença de fantasmas e afins.
A proposta, segundo os organizadores, é cultural. Mas é impossível não questionar o momento escolhido para tal evento. A Semana Santa é, para a esmagadora maioria das famílias ponta-grossenses, um tempo sagrado. Igrejas se enchem, fiéis se preparam espiritualmente para a celebração da Páscoa, e o ambiente social tende à introspecção e ao respeito religioso.
Promover, nesse mesmo período, uma atividade que flerta com o misticismo sombrio, com o medo e com o sensacionalismo, soa como uma provocação desnecessária, ou, no mínimo, uma escolha mal pensada.
Não se trata de censurar temas ou negar o valor histórico da Vila Hilda, mas de reconhecer que o calendário litúrgico cristão ainda tem importância para uma parcela significativa da população. Ignorar isso é desconsiderar parte da identidade cultural local.
A cidade não teria outras datas mais apropriadas para esse tipo de evento? O turismo cultural precisa, sim, de inovação e criatividade, mas também de sensibilidade e respeito. A coexistência entre manifestações culturais e religiosas é possível, desde que se tenha equilíbrio e bom senso.






