ANÁLISE: Moro quer governar o Paraná, mas cadê o plano de governo


O senador Sergio Moro (PL) já colocou o nome na corrida pelo Governo do Paraná, mas a largada eleitoral veio acompanhada de uma pergunta incômoda: onde está o plano de governo? O documento, que deveria apresentar ao eleitor as ideias, prioridades e caminhos para administrar o Estado, ainda não aparece entre os documentos disponibilizados no sistema da Justiça Eleitoral.

A situação joga um ingrediente a mais em uma disputa que começa a esquentar. Moro foi oficialmente lançado pelo PL para disputar o Palácio Iguaçu, mas candidatura não se sustenta apenas com discurso, entrevistas e ataques aos adversários. Quem pretende governar um Estado precisa dizer, com alguma clareza, o que pretende fazer quando chegar ao gabinete.

E aqui está o ponto que interessa ao eleitor: qual é o projeto de Sergio Moro para o Paraná? Saúde? Educação? Segurança pública? Infraestrutura? Agricultura? Desenvolvimento econômico? Geração de empregos?

Ou a campanha ficará concentrada, mais uma vez, no debate nacional e nas críticas ao presidente Lula?

A questão documental pode até ser analisada sob o ponto de vista eleitoral e jurídico, mas existe uma discussão muito maior por trás dela. O paranaense não vai escolher apenas um nome ou uma bandeira partidária. Vai escolher alguém para administrar orçamento, obras, hospitais, escolas, estradas, segurança e uma máquina pública que não funciona com frases de efeito.

A eleição de 2026 começa a exigir menos palanque e mais planejamento. Até porque prometer que quer governar é fácil; difícil é explicar como pretende governar. E, nesse jogo, o eleitor tem todo o direito de cobrar o cardápio completo antes de decidir se compra a promessa.

No fim das contas, a ausência do plano de governo pode acabar produzindo um efeito político curioso: quanto mais Moro demora para apresentar suas propostas, mais espaço abre para que os adversários perguntem, e para que o eleitor desconfie.

No Paraná que vai às urnas em 2026, não bastará dizer “eu quero”. Será preciso responder à pergunta que realmente importa: “para fazer o quê?”

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