Análise: A terceirização da merenda escolar em Ponta Grossa ignora o clamor da sociedade

A decisão da Prefeitura de Ponta Grossa de seguir adiante com a licitação para terceirizar a merenda escolar, mesmo diante da forte resistência da população, professores, servidores e entidades representativas, é, no mínimo, preocupante. Quando uma gestão pública escolhe caminhar na contramão da vontade popular, especialmente em um tema que toca diretamente a vida das crianças e o cotidiano das escolas, é sinal de que algo está errado na forma como se compreende o papel do poder público.
A merenda escolar vai muito além de um simples contrato de fornecimento de alimentos. Trata-se de uma política pública essencial, que envolve segurança alimentar, qualidade nutricional, responsabilidade social e vínculo comunitário. Em Ponta Grossa, por décadas, esse serviço foi prestado de forma direta, com servidoras e servidores que conhecem as realidades das escolas, as necessidades dos alunos e os cuidados exigidos em cada unidade. São profissionais comprometidos, que fazem parte da rotina educacional e são reconhecidos por seu zelo e dedicação.
A terceirização desse serviço levanta uma série de dúvidas e receios legítimos. Quem garante que a qualidade da merenda será mantida? Que os alimentos serão frescos, bem preparados e adequados às necessidades nutricionais das crianças? Que não haverá atrasos, desperdícios ou falhas na logística? A experiência de outros municípios mostra que, muitas vezes, terceirizar é abrir espaço para a precarização, para o aumento de custos e para a perda de controle sobre a execução de um serviço essencial.
Não é à toa que professores, funcionários da educação, imprensa e o próprio Sindicato dos Servidores Públicos Municipais(SindServ) se posicionaram contra essa medida. Há uma clara percepção de que o modelo atual é mais eficaz, mais transparente e comprometido com o interesse público do que um contrato milionário com uma empresa privadas.
A Prefeitura alega modernização e eficiência. Mas modernizar não é sinônimo de privatizar. Eficiência não se mede apenas por planilhas e relatórios de custo, e sim pelo impacto real na vida dos alunos e no fortalecimento da rede pública. A escola é um espaço de comunidade, não de negócios.
Seguir com a licitação, ignorando a voz da sociedade, é um gesto autoritário e insensível. A Prefeitura deveria, antes de tudo, escutar. Rever a decisão, abrir diálogo com quem vive o dia a dia das escolas e buscar soluções conjuntas. Porque merenda escolar não é mercadoria, é cuidado, é dignidade e é um direito das crianças de Ponta Grossa.





