Menos da metade: apenas 47 países confirmam presença na COP30; ONU pede que Brasil pague hospedagens

Encontro expõe impasse sobre altos custos de estadia e pressiona governo a buscar soluções sem usar recursos públicos
Faltando menos de três meses para a COP30, que será realizada em Belém do Pará, apenas 47 dos 196 países previstos confirmaram presença no evento climático. A baixa adesão preocupa, sobretudo em razão dos altos preços de hospedagem na cidade, que se tornaram alvo de críticas e pressão internacional.
Segundo dados divulgados pelo governo federal, 39 países garantiram estadias por meio da plataforma oficial de hospedagem disponibilizada pela União, enquanto outros oito — Egito, Espanha, Portugal, República Democrática do Congo, Singapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega — fecharam acordos diretamente com hotéis locais.
No total, estão disponíveis 33 mil quartos individuais, acima da demanda inicial solicitada pela ONU, de 24 mil. No entanto, a discrepância entre oferta e valores cobrados continua sendo o grande entrave: na plataforma oficial, os preços mais baixos partem de US$ 350 (cerca de R$ 1,9 mil) por diária, muito acima do subsídio padrão da ONU para delegações de países em desenvolvimento.
ONU pressiona Brasil a bancar hospedagens
A crise de custos levou a Organização das Nações Unidas a pedir que o governo brasileiro assuma parte dos gastos de hospedagem para delegações pobres. Atualmente, o subsídio diário é de US$ 140 (aproximadamente R$ 756), valor que deveria cobrir tanto hospedagem quanto alimentação. Na prática, o montante está muito abaixo das tarifas praticadas em Belém.
“O governo brasileiro já está arcando com custos significativos para a realização da COP. Por isso, não há como arcar com subsídio para delegações de outros países”, declarou a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.
A negativa, porém, não encerrou o debate. O Brasil sugeriu que a própria ONU aumente os repasses, já que, em qualquer outra cidade do mundo, os custos também seriam mais altos. “Falamos claramente que o país não tem condição, mas que a ONU poderia subir um pouco a contribuição. Em qualquer cidade do mundo eles pagariam. Não estamos pedindo o que pagariam em Bonn, mas o que pagariam em São Paulo ou no Rio de Janeiro”, reforçou Belchior.
Impasse e busca por alternativas
Apesar de ter recusado o pedido da ONU, o governo admite a necessidade de encontrar uma saída para garantir a presença das delegações. Segundo o secretário extraordinário para a COP30, Valter Correia, uma força-tarefa será montada para entrar em contato com os países e entender as dificuldades específicas de cada um.
Correia também destacou que parte das delegações aguardava o desfecho da reunião mais recente na ONU para tomar decisões. “A ideia é termos um grupo de pessoas para ligar para os pontos focais dessas delegações, saber o que está acontecendo e como podemos ajudar”, explicou.
Fonte: Politiza Brasil







