Polêmica: Mudança no funcionamento dos CMEIs gera preocupação dos pais em Ponta Grossa

A Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa estuda implementar, a partir de 2026, uma mudança no funcionamento dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), com reflexos já previstos para o segundo semestre deste ano. A proposta prevê a liberação das crianças às sextas-feiras à tarde, período que passaria a ser dedicado à formação docente, planejamento e organização pedagógica.
A medida, que vem sendo discutida internamente pela nova gestão da Secretaria, tem gerado preocupações e reclamações entre pais de alunos, que veem a alteração como um desafio para a rotina familiar, especialmente para aqueles que trabalham em período integral.
Por outro lado, a Secretaria argumenta que a mudança segue o modelo já aplicado nas escolas de período integral do município, onde as sextas-feiras à tarde são reservadas para qualificação dos professores e planejamento pedagógico. A ideia é alinhar os CMEIs a essa mesma lógica, visando uma melhoria na qualidade da educação ofertada.
De acordo com o pai de um aluno, que preferiu não se identificar, a aplicação desse modelo já aplicado em outras escolas, esbarra no fato que alunos dos CMEIs são menores, e totalmente dependentes. “Muitas crianças que estão matriculadas nos CMEIs ainda usam fraldas e se alimentam com mamadeira. Diferente de uma criança matriculada no ensino integral, que tem autonomia maior. Além disso, muitas crianças tem nos CMEIs a oportunidade de fazer refeições que não tem em casa. Como será para essas crianças?”, indaga o pai.
Formação continuada
Segundo fontes ligadas à Secretaria da Educação, a alteração atende a uma demanda antiga dos profissionais da educação infantil, que enfrentam jornadas fragmentadas e muitas vezes sem tempo adequado para planejamento das atividades e formação continuada. “É justo e necessário respeitar as necessidades dos profissionais dos CMEIs. Não se trata de retirar direitos dos pais, mas de garantir qualidade no processo educativo”, afirma uma educadora que também preferiu não se identificar.
A Secretaria deve iniciar ainda este ano um período de transição, preparando as unidades para a efetiva mudança em 2026. A medida, se confirmada, demandará também reorganização familiar por parte dos pais, além de um esforço da gestão em comunicar de forma clara os objetivos pedagógicos e os benefícios esperados com a proposta.






