ANÁLISE: humilhação, falta de planejamento e uma reflexão sobre prioridades em Ponta Grossa

Quebra um carro, tudo bem. Quebram dois, azar. Mas quando três veículos adaptados da Prefeitura de Ponta Grossa, os únicos disponíveis para transportar cadeirantes e pacientes com deficiência, apresentam problemas mecânicos ao mesmo tempo, algo está fora do lugar. E não é só na oficina. Simplesmente isso. Três carros. Quebrados. Sem plano B.
O serviço, que deveria ser contínuo e prioritário, foi suspenso. Sem aviso prévio, sem alternativa imediata. Famílias que dependem do transporte para levar seus filhos, pais ou cônjuges para consultas e exames simplesmente ficaram esperando. E ainda estão.
A nota oficial da Prefeitura trata o episódio como “incomum”. Talvez seja. Mas não deveria ser impossível de prever ou de contornar. Um serviço essencial não pode depender exclusivamente de uma frota mínima e frágil. A falha aqui não está apenas nos motores, mas na engrenagem do planejamento público.
Enquanto isso, a população assiste ao avanço de um novo pacote de aumento do IPTU. Sim, o mesmo movimento já tentado (e rejeitado) antes. Não esqueçamos também que, há poucos meses, tentaram empurrar goela abaixo um aumento nos salários da prefeita, do vice e dos secretários. A Justiça barrou, mas a intenção estava lá, escancarada.
Não se trata de demonizar aumento de impostos ou salários públicos. São ferramentas legítimas de gestão. Mas quando políticas fiscais caminham na frente de serviços básicos, é preciso questionar: a que (ou a quem) a gestão está servindo? Aos amigos, súditos e apadrinhados?
A sensação que fica para o cidadão que espera um carro que não vem é de invisibilidade. Um silêncio que grita mais alto que qualquer nota oficial. Como escutei em um certo programa radiofônico hoje pela manhã; transporte adaptado não é favor, é direito. E um governo que prioriza arrecadação antes de garantir o básico talvez precise revisar sua rota.







