ANÁLISE: Sandro Alex, o “Tarcísio” de Ratinho no Paraná

A política, em muitos momentos, revela padrões que se repetem, não como cópia, mas como estratégia. A ascensão de Tarcísio de Freitas, impulsionada pela escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro, é um desses exemplos que ajudam a compreender movimentos atuais em outros estados. No Paraná, a trajetória de Sandro Alex sob a liderança de Ratinho Júnior apresenta semelhanças que chamam atenção.
Quando Tarcísio foi alçado ao protagonismo, carregava consigo um perfil eminentemente técnico. Não tinha histórico eleitoral, tampouco uma base política consolidada. As críticas eram previsíveis: faltaria experiência política, capilaridade, identidade com o eleitor. No entanto, o que parecia fragilidade tornou-se ativo. Como ministro da Infraestrutura, ele passou a representar resultados concretos, com obras entregues, projetos estruturantes e uma narrativa de eficiência.
E foi justamente essa associação direta com realizações que sustentou sua vitória em São Paulo.
No Paraná, o cenário guarda paralelos evidentes. Sandro Alex, à frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística, também construiu uma imagem vinculada à entrega. Duplicações rodoviárias, investimentos em estradas rurais e melhorias em vias municipais compõem um portfólio robusto de obras que impactam diretamente o cotidiano da população. Entre elas, destaca-se a Ponte de Guaratuba, um projeto de grande repercussão estadual, frequentemente citado como marco de infraestrutura recente.
Mais do que números, trata-se de narrativa. Obras não são apenas concreto e asfalto, são símbolos políticos. E é justamente nesse ponto que a estratégia ganha força. Ao associar seu governo a resultados palpáveis, Ratinho Júnior consolida um discurso de gestão eficiente.
Nesse contexto, Sandro Alex surge como peça-chave: alguém que personifica essas entregas.
Diferentemente de Tarcísio no início de sua trajetória, Sandro Alex agrega ainda um componente político relevante. Deputado federal bem votado, com histórico eleitoral consistente, ele combina o perfil técnico com experiência nas urnas. Esse equilíbrio amplia sua capacidade de diálogo tanto com lideranças políticas quanto com o eleitorado.
Outro elemento importante é a construção de unidade. A escolha de um nome com perfil agregador pode facilitar a convergência entre diferentes grupos políticos, fortalecendo alianças e ampliando a base de apoio. Ao mesmo tempo, a presença de um discurso focado em realizações tende a ressoar com prefeitos e lideranças municipais, que veem na infraestrutura uma das principais demandas de suas regiões.
O paralelo com São Paulo não é mera coincidência. Ele sugere uma leitura estratégica: transformar gestão em capital político.
Se em um cenário anterior a aposta em um técnico se mostrou viável, no Paraná essa lógica se apresenta com um diferencial: a combinação entre técnica, experiência política e visibilidade em obras de grande impacto.
No fim, mais do que nomes, o que está em jogo é o modelo de construção de candidaturas. E, nesse aspecto, o Paraná parece seguir uma trilha onde resultados se tornam argumento, e a infraestrutura deixa de ser apenas política pública para se tornar também ativo eleitoral.
