Análise: Gestão quer ampliar cargos enquanto ignora quem mantém a cidade de pé

Em meio a um cenário de insatisfação crescente entre os servidores públicos municipais, a Prefeitura de Ponta Grossa parece caminhar na contramão do que se espera de uma administração sensível às demandas de sua própria base. De um lado, funcionários aguardam, sem qualquer resposta concreta, um posicionamento sobre o reajuste salarial reivindicado pela categoria. Do outro, a mesma gestão articula a criação de quatro novos cargos de superintendentes, ampliando a estrutura administrativa e, consequentemente, os gastos com a máquina pública.
A incoerência salta aos olhos. Como justificar a expansão de cargos comissionados enquanto se ignora, ou sequer se responde, à pauta de trabalhadores que sustentam o funcionamento diário do serviço público? A ausência de diálogo, apontada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindServ), não apenas fragiliza a relação entre gestão e servidores, mas também evidencia uma postura de distanciamento preocupante.
A paralisação marcada para esta quarta-feira (08) é reflexo direto desse cenário. Não se trata apenas de uma reivindicação salarial, mas de um pedido por respeito, escuta e valorização. Quando a administração opta pelo silêncio, abre espaço para a insatisfação ganhar as ruas, e com razão.
Para além disso, outros pontos têm gerado desconforto e desconfiança na população. Contratos milionários, como os relacionados à merenda escolar e ao serviço de atenção animal, levantam questionamentos sobre prioridades e transparência. Soma-se a isso o pedido de crédito de R$ 85 milhões, que amplia ainda mais a necessidade de clareza sobre o que se pretende na administração municipal.
A sensação que fica é a de uma gestão que expande sua estrutura enquanto se fecha ao diálogo com aqueles que fazem a cidade funcionar. Em tempos de dificuldade econômica, a coerência entre discurso e prática não é apenas desejável, é essencial.
Se há recursos e disposição para ampliar cargos e firmar contratos robustos, por que não há o mesmo empenho em ouvir e valorizar os servidores? A resposta, ou a falta dela, é o que hoje mais pesa no julgamento da opinião pública.
