VÍDEO: Postura religiosa de André Mendonça, relator do caso Master, surpreende comentaristas políticos


Ministro André Mendonça durante a sessão da Segunda Turma do STF realizada em 11 de junho de 2024 no STF. Foto: Andressa Anholete/SCO/STF

Ministro se recolhe para orar antes de assumir relatoria do caso Banco Master

A atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tem provocado reações que ultrapassam os círculos jurídicos e políticos. Nos bastidores da Corte e na imprensa, a conduta do magistrado, especialmente sua postura religiosa, tornou-se tema de debate público.

Durante a edição de quinta-feira (19) do programa WW, da CNN Brasil, os jornalistas William Waack, Caio Junqueira e Thais Herédia comentaram o perfil do ministro. Confira:

Thais Herédia afirmou que Mendonça tem apresentado uma postura menos “soberba” do que outros integrantes da Corte e associou essa característica à sua religiosidade. Segundo ela, trata-se de um magistrado “profundamente religioso”, com comportamento distinto dentro do tribunal.

William Waack relatou um episódio que simboliza essa identidade: ao saber que assumiria a relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master, Mendonça teria pedido que as pessoas deixassem a sala para que pudesse se recolher em oração.

O comentário foi feito em tom descritivo, e não crítico, mas evidenciou como a dimensão da fé do ministro passou a integrar a narrativa pública sobre sua atuação.

Para parte do público cristão e conservador, o gesto é visto como sinal de coerência pessoal e responsabilidade diante da função. No ambiente do Supremo — frequentemente associado a embates políticos e decisões de forte impacto institucional — a imagem de um ministro que recorre à oração antes de assumir um caso sensível ganha simbolismo.


Caso Banco Master: decisão pode redefinir rumo da investigação

Nesta segunda-feira (23), Mendonça se reúne com delegados da Polícia Federal responsáveis pelos inquéritos relacionados ao Banco Master. O objetivo é receber o relatório da primeira fase das investigações e decidir se o caso permanece no STF ou segue para a primeira instância da Justiça.

A apuração envolve, entre outros pontos, a tentativa de aquisição do Banco de Brasília pelo Master. Também está sob análise o conteúdo do telefone celular de Daniel Vorcaro, controlador da instituição, apreendido pela polícia.

É o segundo encontro do ministro com os investigadores desde que assumiu a relatoria. No dia 13, ele já havia se reunido por duas horas com a equipe para tomar conhecimento do volume de provas.


Mudança de condução no inquérito

Mendonça assumiu o caso após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria.

Entre as primeiras decisões do novo relator, está a reversão de restrições que limitavam a quatro o número de peritos autorizados a analisar os materiais apreendidos. Ao ampliar a equipe técnica e permitir maior compartilhamento de informações, o ministro sinalizou intenção de dar celeridade às perícias.

Ele também autorizou o compartilhamento de dados obtidos por quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro com a PF e com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades no INSS. Na avaliação do ministro, a “elevada repercussão social” justifica a cooperação entre as autoridades.


Duas frentes de investigação

O caso envolve duas operações principais:

  • Operação Compliance Zero — apura suposto esquema de fraudes estruturado por meio de fundos de investimento.
  • Operação Sem Desconto — investiga descontos irregulares em benefícios previdenciários e possíveis fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social.

Com base no relatório da PF, Mendonça decidirá se o inquérito deve permanecer no STF — hipótese que se aplica quando há autoridades com foro privilegiado envolvidas — ou se será remetido à primeira instância.


O que está em jogo

A definição sobre a competência do julgamento influencia diretamente:

  • o ritmo das investigações;
  • o grau de publicidade dos atos processuais;
  • o impacto institucional do caso.

Enquanto o mérito ainda será analisado nas instâncias apropriadas, a postura pessoal do relator já se tornou elemento central do debate público.

Em meio a um cenário de polarização política e questionamentos sobre o papel do Judiciário, a combinação entre firmeza técnica e identidade religiosa projetada por Mendonça reforça uma imagem que dialoga com parte expressiva da sociedade brasileira — especialmente eleitores que valorizam referências explícitas de fé no exercício de funções públicas.

A decisão sobre o destino do inquérito é aguardada para as próximas semanas.

Posts Similares